À estrela que se apagou

Este não é um post habitual. É bem mais um desabafo e uma tentativa de prestar uma pequena homenagem a alguém de quem já sinto muita falta, mesmo sem nunca tê-lo conhecido.

Que tal ouvir One More Light enquanto lê?

***

Quando eu soube, não chorei. Não caiu uma lágrima sequer. Mas foi porque fui invadida por um desespero inexplicável. Tinha que ser uma brincadeira de muito mal gosto ou mais um caso daqueles em que algum site “mata” um artista que ainda tá vivo.

Podia ser qualquer coisa, menos real.

Quando começou a cair a ficha de que era verdade, doeu profundamente. Doeu perder alguém que eu admirei (e admiro) tanto. Doeu perder alguém que tornou melhor a minha existência, assim como as de milhões de outras pessoas, tenho certeza. Doeu perder quem eu sequer conhecia. Doeu, principalmente, imaginar o quanto doeu nele.

***

Sempre digo que cresci ouvindo Linkin Park. Eu estava com dois anos quando a banda lançou o Hybrid Theory, quatro quando lançaram o Meteora. Meu pai gostou muito deles e ouvia bastante, fosse lá em casa, fosse parado no trânsito, fosse onde fosse. De quebra, minha irmã e eu ouvíamos muito também. Então, eu cresci ouvindo Linkin Park.

Alguns anos depois, entre o Minutes To Midnight e A Thousand Suns, entrei numa época em que me importava demais com rótulos e comecei a reclamar das músicas que meu pai ouvia. Não, eu gostava era de pop, não podia sair por aí dizendo que U2 era gostoso de ouvir, que Pink Floyd era ótimo, que Green Day era legal demais, que Evanescence me inspirava ou que eu amava quando meu pai ouvia Linkin Park. Era simplesmente inaceitável gostar de rock ou coisa do tipo.

Passou algum tempo, aí veio o A Thousand Suns e, com ele, Waiting For The End. Ouvi a música – tão diferente do que eu me lembrava de ouvir deles -, assisti ao clipe. Fiquei fascinada. Minha cabeça estava se livrando das categorizações e me permiti admitir: “caramba, essa é muito boa!”. Daí em diante, foi só paixão pela banda e suas músicas. Comecei a ouvir mais, conhecer mais, me encantar mais.

Quem me conhece, sabe: sou apaixonada por Linkin Park, do Hybrid Theory ao One More Light. Encantada pelos caras, daquelas que se enchem de orgulho de falar de seus talentos, suas forças, suas conquistas. Apreciadora de todos os álbuns que saíram, sempre defendi os lançamentos arriscados da banda e a coragem em experimentar.

Linkin Park se tornou parte da minha vida muito cedo. Suas melodias ficaram entranhadas em mim, suas letras estão gravadas em minha história.

Sabe aqueles trabalhos de escola que pedem para que a gente fale de uma banda que nos inspira? Era sempre Linkin Park. Quando era em grupo, eu sempre brigava por eles, apesar de nem sempre ganhar. Quando tinha de falar de personalidades que nos inspiravam, geralmente era um deles.

Quando ganhei meu primeiro celular, fui logo colocar Somewhere I Belong, uma das minhas músicas preferidas da vida, como toque. Quando enjoei, troquei por Burn It Down e mantive essa música como meu toque até hoje. Quando eu me cansar, provavelmente escolherei outra da banda.

As canções cantadas por Chester e Shinoda me acompanharam em incontáveis momentos. Elas foram trilha sonora de trabalhos, amigas em momentos difíceis, combustível quando eu precisava de motivação ou inspiração.

Não há música que me faça me sentir tão invencível como Lost In The Echo quando Shinoda canta “So you can let it be known: I don’t hold back, I hold my own. I can’t be mapped, I can’t be cloned. I can’t c-flat, it ain’t my tone. I can’t fall back, I came too far. Hold myself up and love my scars.” *

Por vezes, alimento minha raiva ou revolta, até elas passarem, com Bleed It Out, One Step Closer, Guilty All The Same, Wastelands ou The Catalyst. Quantas vezes chorei ouvindo The Little Things Give You Away porque ela encaixava tão perfeitamente com a época que vivia! Não consigo ouvir Leave Out All The Rest sem me afogar em lágrimas; ela me traz uma intensa nostalgia porque me lembra da minha infância e do primeiro dos melhores três anos da minha vida.

Iridescent e Roads Untraveled são algumas das melhores companhias para minhas dores, só não melhores que The Messenger, música oficialmente declarada (por mim) como uma das mais lindas já compostas neste planeta. E tenho certeza de que uma das mais recentes, Heavy, poderia ter sido escrita com base em meus pensamentos.

E eu poderia citar tantas músicas mais…

Imagino que boa parte dessas, se não todas as músicas citadas aqui, tiveram um impacto significativo na vida de mais milhões de pessoas. E nós, milhões de pessoas, perdemos um ídolo. Um artista fantástico, mega talentoso, forte, que foi capaz de tocar e tornar mais especiais tantas vidas.

E, caramba, como isso dói!

***

Quando Chester Bennington compunha, ele escrevia sobre sua vida e sobre as nossas. Quando ele cantava, cantava com a alma. É imensurável o quanto de amor e força ele inspirou. Não tenho nem noção de quantas lágrimas ele secou, quantos abraços ele distribuiu, quantos sorrisos ele despertou por compartilhar um pouco de sua luz com cada um de nós.

Espero que todas as lágrimas que derramamos por ele e que todos os sorrisos de gratidão que sorrimos por ele ter sido alguém tão incrível possam alcançá-lo, onde quer que ele esteja. Talvez tanto amor enviado a ele possa retribuir pelo menos um milésimo de tudo o que fez por todos nós.

“Quem se importa se mais uma luz se apagar em um céu de um milhão de estrelas?
Bem, eu ligo.”

Nós ligamos, Chester.

Descanse em paz.

chester.jpg
Fonte: Facebook

***

* Então você pode deixar que saibam: eu não me seguro, eu me mantenho. Eu não posso ser classificado, eu não posso ser clonado. Eu não posso Dó Bemol, não é o meu tom. Eu não posso recuar, eu cheguei muito longe. Eu me seguro e amo minhas cicatrizes.

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