Digitais

Eu olho para os lados e ainda vejo. Algumas sensações são mais nítidas que outras, mas ainda estão todas lá. Pelos cantos onde me refugiei, pelas calçadas em que me equilibrei, pelas janelas onde libertei meus pensamentos embaralhados. Está tudo espalhado por aí.

Por todo canto existem impressões delicadas que deixei, talvez para que pudesse encontrá-las depois. E cada canto onde peritos encontrariam minhas digitais deixou, em mim, marcas invisíveis aos olhos superficiais.

Não há como esquecer. Não há centímetro daqui que eu não tenha percorrido. E, como se todas as minhas cenas tivessem sido gravadas para serem exibidas repetidamente algum tempo depois, sou capaz de enxergar tudo.

Olho pra esses corredores e me lembro dos jogos e das risadas, olho estas árvores e me lembro das conversas sob a sombra delas. Lembro-me da música, lembro-me do carinho. Lembro-me de cada pedra no caminho e de cada comemoração.

Até mesmo as cores do céu misturam tonalidades já gravadas na minha retina e me lembram de momentos que não voltam mais. O céu nublado me traz a dor daqueles dias frios em que não queria levantar da cama. E o céu azul traz à tona os sorrisos mais bonitos que vi e sorri aqui.

Está tudo espalhado por aí. Impressões poéticas que consigo encontrar e que ainda sou capaz de ler. Cicatrizes que deixei por onde passei. Partículas de dúvida pairando no ar e aquele cheiro inconfundível de felicidade.

Está tudo espalhado por aí.

 

(Foto: Amanda Mabel)

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2 comentários em “Digitais

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