Vazio

O fim da tarde começa a surgir e, junto a ele, o vazio começa a se mostrar. Sem milhares de imposições para sugar minhas energias, sem episódios de série pra assistir, sem músicas capazes de ocultar meus pensamentos, só me restam eu e esse buraco mascarado.

A ausência aparece de fininho vez ou outra, se põe diante de meus olhos e vai crescendo. Gasto energia tentando não encará-la, até decidir que vivi o suficiente do dia. Ou até que alguma coisa finalmente consiga silenciar o silêncio.

Sei que, mesmo que nem sempre ela se mostre, ela está sempre aqui. A ausência é uma presença constante. A falta deles, a tua distância, o silêncio dela. A minha ausência. Há um nada em tudo o que faço. Um tom de branco espreitando cada cor que reveste minha vida.

Aqui e agora, só me resta esperar o esquecer substituir o lembrar de nada. O vazio é recheado demais, é difícil mantê-lo em mim. Talvez seja por isso que tantos de nós, quando nada veem, despertam para procurar freneticamente por alguma ausência menos pesada que o vazio natural. Alguns nadas são tudo o que precisamos quando parecemos um universo ao reverso

Mas talvez o vazio seja um grande companheiro, amigo fiel e o despertar de grandes transformações. Talvez a gente não precise preenchê-lo, ele já é denso por si só. Talvez seja só uma questão de se adaptar a ele, moldá-lo levemente para que ele nos complete e assumi-lo como uma parte tão nossa de nós. E, assim, viver outros vários fins de tarde, assistindo ao pôr do sol com ele ao lado.

 

(Fonte da foto: We Heart It)

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